Preocupações dos CEOs Globais e relação às leis de privacidade de dados

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Em março de 2021, a consultoria internacional PWC publicou o resultado da sua 24a CEO Survey, na qual o foco foi avaliar as expectativas dos CEOs do Brasil e do mundo depois de um ano de pandemia. A maior preocupação dos CEOs está no item...
...no item “Pandemias e outras crises sanitárias" (52%). Não há como ser diferente frente ao evento mais impactante do nosso século e que ainda pode ter diversos desdobramentos.

Na sequência vem: ameaças cibernéticas (47%), saltando da 4a posição em 2020 para a 2a posição em 2021; excesso de regulação (42%); incerteza em relação a políticas (38%); crescimento econômico incerto (35%); incerteza na política tributária (31%); populismo político (31%); mudanças climáticas (30%); aumento das obrigações tributárias (30%); e disponibilidade de competências essenciais (28%).

 
As leis de privacidade de dados, tal como a LGPD no Brasil, são uma preocupação mundial. Temos mais de 100 leis de privacidade sendo escritas ou melhoradas mundo afora. Nessa direção, as ameaças cibernéticas vêm tendo um crescimento expressivo nos últimos anos. Agora, com leis de privacidade de dados que enfatizam a responsabilidade dos controladores de dados pessoais na manutenção da tutela desses dados e a responsabilização com sanções administrativas e multas pesadas, criou-se um ambiente muito favorável para cibercriminosos coletarem ou criptografarem dados em troca da não divulgação de vazamentos e outros incidentes de segurança provocados por eles.
 
Na terceira posição da lista de preocupações está o excesso de regulação. O grande motor da nova economia são os dados. As maiores empresas do mundo estão ligadas a esse insumo. Diante disso, regulações como leis de privacidade de dados, acabam impactando nos negócios de muitas empresas, diretamente ou indiretamente. Empresas como Facebook e Google, por exemplo, além de receberem multas milionárias, estão tendo que rever o modo como monetizam seu negócio, em função de não poderem mais realizar tratamento de forma abusivo de dados pessoais pro causa da regulamentação.
 
Na quinta posição aparece o crescimento econômico incerto. Claro que aqui, estaríamos falando do mercado como um todo. Mas o mercado é feito também de empresas. Quando vê-se grandes empresas sendo ameaçadas por crimes cibernéticos, e em um ambiente de regulação mais forte, em cima do insumo “dados”, talvez possamos atribuir uma pequena fatia dessa incerteza no crescimento econômico a esses fatores.
 
Por fim, vale destacar a disponibilidade de competências essenciais. A privacidade de dados tornou-se uma competência cada vez mais solicitada pelas organizações. Hoje sabe-se que existe uma carência de milhares de profissionais de privacidade de dados no mundo para ocupar cargos nessa área, desde Data Protection Officer (DPO) e Gestor de Privacidade a Auditor de Privacidade, entre outros. Enfatizo aqui, a enorme oportunidade para consultorias poderem ajustar e oferecer serviços nessa área muito promissora. Uma vez que os CEOs identificam essas preocupações, torna-se muito provável também sua necessidade em realizar investimentos para diminuir riscos para os seus negócios com a contratação de consultoria que primem pela competência técnica e postura ética exemplar.
ROBERTO MAZZILLI
DPO da ABCO
 
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