Desvestir a camisa da empresa

 
Quando das demissões bruscas de executivos, as empresas, ao transferirem a responsabilidade para as de recolocação, consideram ter cumprido o seu papel. Tal (falta de) apoio aos que vestiram a camisa da empresa por um bom tempo fragiliza os fios da solidariedade humana...
...lealdade e confiança. O que torna o ambiente organizacional infecundo ao surgimento de talentos, à gestão de competências e, muito pior, ao comprometimento ético.

Ora, há relativa certeza de que o mundo do trabalho tradicional está se acabando. Os avanços tecnológicos, a valorização do Conhecimento como tal, a globalização – que torna os problemas nacionais em internacionais -,e, principalmente, a ética do trabalho – já vetusta e ultrapassada-, com o único e exclusivo objetivo de renda, alavancam e impulsionam tal mudança. Há no ar um novo paradigma, à espreita dos retrógrados e reativos.
 
Pois ele, humilde, em paralelo e à margem do dia a dia, modesto, talvez até insignificante – embora persistente -ele aos poucos começa a tomar forma , e se materializando já em algumas (poucas) iniciativas de organizações pioneiras e de ponta no que diz respeito ao reconhecimento de uma responsabilidade social de base – aquela que fez Confúcio dizer que “não é ético fazer aquilo que nosso vizinho desaprova”.
 
Com essa mudança, visionária para alguns, o trabalho é, antes de mais nada, veículo de auto crescimento, de realização pessoal, de gratificação social, instrumento para nossa generosidade e, pelo alcance social, reconhecimento de que não erigimos muros somente pelo salário de pedreiro mas, muito mais, pelas catedrais, alvo e resultado de nossos esforços e trabalho dedicado.
 
Ou seja, a dispensa oportunista, inopinada e brusca de nosso Pessoal, sem a preparação adequada e devida para iniciá-los numa 2ª Carreira, num segundo trabalho, não é somente mesquinha, egoísta e, por vezes, até inescrupulosa. Mais que uma crueldade ela é, antes de tudo, retrógrada e até ignorante, perdendo-se a oportunidade de não sermos simplesmente reativos – efeito dos tempos-, para assumirmos o papel de agentes de mudança – não mais vítimas desses maus tempos, mas, pioneiramente, artífices de um tempo novo, que ajudaremos a chegar…
 
LUIZ AFFONSO ROMANO
Consultor e mentor para os que migram para a consultoria
Conselheiro da ABCO
 
Crédito da imagem: Designed by Freepik

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