Descarbonização no Mundo da Tecnologia

 
No dia 15 de setembro, com a mão no peito, o Google anunciou como meta que todos os seus centros de dados e escritórios estejam operando em regime carbon-free, vinte e quatro horas por dia em 2030. De fato, iniciativas como esta, visando enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas, devem ser enaltecidas...
 
...e servir de exemplo para toda a sociedade de forma a garantir um futuro sustentável ao nosso planeta. Este gigante da Internet já havia anunciado ser carbon-neutral em 2007, ou seja, compensar as emissões de carbono com a produção de energia limpa ao redor do globo. 
 
A relevância do Google é indiscutível pois eles são a maior empresa consumidora de energia renovável do planeta. Entidades reguladoras ao redor do mundo estão cada vez mais atentas aos impactos causados ao meio-ambiente pelos serviços de streaming de vídeo, jogos on-line, mídia social, aplicações corporativas, etc.
     
O que se espera destas grandes empresas é que elas tomem decisões sustentáveis, com geração de novos empregos focados principalemte na oferta de energia “limpa”. Somente o Google espera criar 12,000 empregos até 2025 relativos à utilização de energia solar, eólica e ao armazenamento de energia.
 
As cidades atualmente respondem por 70% de todas as emissões globais. Nela, os edifícios comerciais são
responsáveis por uma fatia significante de consumo (10% no caso dos EUA) e, tecnologias como machine learning e neuroscience, estão contribuindo de forma significativas (30%) para a redução do consumo de energia. Nos campos, iniciativas para reflorestamento e recuperação de biomas afetados, inclusive com a ajuda de drones, como propõe a startup Dendra Systems, são uma promessa alvissareira para os nossos ecossistemas.
 
Quando focamos nossas lentes para a infraestrutura digital que suporta o processamento, a armazenagem, e a comunicação de bits e bytes, encontramos os principais players que devem buscar de forma contínua a otimização do uso da energia de forma sustentável. São eles os fabricantes de equipamentos, os provedores de serviços e por fim, nós os usuários que, em diferentes escalas, devemos contribuir seja qual for o segmento da indústria em que atuamos. 
 
Já é possível observar o aumento no percentual de grandes corporações que vêm apresentando seus relatórios de sustentabilidade, impactando diretamente na relação com seus clientes (contratação de novos serviços), parcerios e potenciais investidores.
 
Estudos recentes conduzidos pela empresa 451 Research mostram que as principais inovações tencnológicas desenvolvidas nos últimos cinco anos, à disposição das corporações e dos provedores de serviços, são os novos equipamentos com baixa perda na distribuição de energia, os sistemas modernos altamente eficientes de ar-condicionado e os softwares de gestão inteligente destas operações, através da coleta e análise de dados, e posterior tomada de decisão ecoconsciente.
 
Do ponto de vista individual das empresas, cabe a todo responsável pela áreas de TI, monitorar e reavaliar continuamente as necessidades reais de suas operações, ao invés de sobredimensionar suas plataformas, além de eliminar servidores e outros equipamentos sem utilização efetiva e maximizar infraestruturas compartilhadas, como é o caso do cloud computing, seja em âmbito público ou privado.     
 
Somente ao assumirmos compromissos de eficiência e sustentabilidade e tomarmos todas as ações possíveis neste sentido, poderemos ter esperanças de enfrentar os nefastos impactos provocados pelo desequilíbrio ambiental que a fúria da natureza vem deixando em seus rastros, como o aumento no número e intensidade dos furacões e incêndios, além da elevação do nível do mar.  
 
HUGO ZANON JUNIOR
Consultor de Infraestrutura para Datacenters

Associado da ABCO
 
Crédito da imagem: Designed by Freepik

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