Automação descarta também executivos

Novos tempos exigem novos comportamentos, vez que com toda nova crise o nosso instinto de segurança é aguçado e criativamente implementado. Às vezes, tarde demais. Alguns reagem como os animais quando acuados, e poucos são previdentes, como Prometeu, e iniciam a conversão planejada.
 
O acelerado enxugamento nas empresas, iniciado, na década de 1980, com os processos de redimensionamento de atividades, a automação, as fusões, as incorporações… e, a partir de 2008, exacerbado pela crise internacional, empurrou executivos de larga experiência e capacidade para a transição de carreira, para o descarte.
 
Na metamorfose, por não mais pertencerem ao mundo corporativo, acham-se marginalizados. Argumentam eles de que adianta o ativo acumulado – maturidade, habilidade e competência testada – se não conseguem recolocação nas corporações nem estão habilitados de imediato para uma carreira solo. Não investiram neles, delegaram.
 
De que adianta maturidade e competência
testada se não conseguem recolocação?
 
Quem os acolherá e irá usufruir de toda essa experiência que o mercado corporativo, muitas vezes, prefere desperdiçar? Eles – os descartados – que passam a investir neles o seu principal ativo.
 
Tradicionais e novos setores demandam serviços de consultoria e treinamento conduzido por profissionais experientes, com vivência e a competência de só quem já passou por situações – erros transformados em degraus para acertos gerenciais – saberia o momento de intervir, melhorando os processos, treinando pessoas, reconduzindo empresas aos “eixos”; porém, quem sabe que eles querem participar. Quem os preparou? Quem os conhece? Onde encontrá-los?
 
O consultor com múltiplas experiências irá reprogramar os conhecimentos generalistas e técnicos auferidos na vida profissional do(a) executivo(a) ora descartado(a), canalizando-os para as atividades de consultoria organizacional e/ou técnica.
 
Contudo, antes é importante que o(a) executivo/gestor(a) decifre o dilema: espalhar currículos, aguardar apático a recolocação ou empreender se capacitando, por exemplo, para trilhar o caminho da consultoria?
 
 
Luiz Affonso Romano
Consultor organizacional, coach, CEO do Laboratório da Consultoria e presidente da Associação Brasileira de Consultores (ABCO – abco.org.br)